
Se até agora falei em marketing político, a pergunta fica… como conseguem os políticos penetrar na teia da opinião pública?
Antigamente, “rádio, jornal, filme, folhetos, discursos e cartazes opõem as ideias umas às outras, reflectem os fatos e disputam entre si os homens.” Era desta forma que políticos e estadistas de todo o mundo impuseram as suas ideologias. O jornal foi um grande aliado, mas a rádio desenvolveu um papel sem precedentes. Actuava sobre a mente e criava imagens ilusórias de personalidades que não existiam. Apenas a palavra era suficiente. Já vivíamos numa fase depois de Aristóteles, onde a comunicação social era imprescindível, mas onde a palavra era o centro.
E agora, o que é mais importante? A palavra, a comunicação social ou a imagem? A que recorrem os políticos para entrar na opinião pública? Como é a realidade do século XXI?
O marketing político depende de um aliado importante. Estratégias da Comunicação. Sem uma estratégia previamente pensada e delineada, definida, enquadrada, pensada para actuar na Opinião Pública, não se ganham eleições. Um político precisa de saber o que o público quer para “dizer o que ele quer ouvir” e conquistar votos. Precisa de saber onde ganha mais votos. Como pôr a Opinião Pública a pensar no mesmo.
Campanhas eleitorais, comunicação política, já não dependem de intuição política. São, cada vez mais, estruturadas e organizadas para levar a pensar neste e não naquele sentido. A comunicação social é cada vez mais o alvo dos políticos, como forma de atingir a população. Mas os políticos, ou os seus partidos, não se podem dar ao luxo de deixar nas mãos de um jornalista escolher, segundo critérios editoriais, o que é notícia, por isso arranjam-se inúmeras formas de actuar na Comunicação Social, leva-los a passar a mensagem que os políticos querem passar, para depois essa mensagem ser transmitida ao público eleitor.

Através da análise comparativa com a série “Os Homens do Presidente” pretende-se dar a conhecer algumas das ferramentas politicas da era moderna. E mesmo tratando-se de ficção, a verdade, é que não anda assim tão longe da realidade, se ao facto juntarmos exemplos da realidade política mundial!
Aliás, no Ensaio Geral (episódio 5, da quarta temporada), é dada relevância à estratégia de comunicação para ganhar eleições. Eles encontram-se num retiro, onde é estudado e ensaiado o debate final que o presidente terá com o adversário. Todas as perguntas são minuciosamente estudadas, até as palavras usadas são tidas em conta. Noutro cenário, do mesmo episódio, percebe-se a preocupação com a gestão dos estados onde o presidente deve actuar e insistir. Têm um mapa com as zonas assinaladas, onde devem transmitir mais ou menos publicidade televisiva.
Este episódio revela o lado estratégico, mas puro, do marketing político, em que há um esforço crescente na preparação e organização de tudo. Nada é deixado para trás, tudo é pensado ao pormenor.
Já no episódio Na esquina da 18ª Polomac (episódio 21, da segunda temporada) é também demonstrada a preocupação e definição de uma estratégia de comunicação. Primeiro pede-se uma sondagem, depois define-se como o presidente vai reagir – um discurso com a mulher, num directo (live e não tape – não querem arriscar montagens da produção), qual a sala, qual o dia (“quarta-feira é um bom dia”). Procuram ter acesso prévio aos diagnósticos da doença e sintomas. Preparam as perguntas que possam ser feitas pelos jornalistas, assim como as respostas. Entre outros pormenores, como a presença do vice-presidente, ou não, como o ensaio da mulher Abbey, etc.
Mas como dar à Comunicação Social o que querem que seja noticia? Serão os jornalistas assim tão ingénuos? A que ferramentas recorre o marketing político para actuar na Opinião Pública?
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