17/06/09

OPINIÃO PÚBLICA… INTUIÇÃO POLÍTICA OU ESTRATÉGIAS DA COMUNICAÇÃO?

O principal — asseverou Lenine — é a agitação e a propaganda em todas as camadas do povo”. Hitler disse: “A propaganda permitiu-nos conservar o poder, a propaganda nos possibilitará a conquista do mundo”.

Se até agora falei em marketing político, a pergunta fica… como conseguem os políticos penetrar na teia da opinião pública?

Antigamente, “rádio, jornal, filme, folhetos, discursos e cartazes opõem as ideias umas às outras, reflectem os fatos e disputam entre si os homens.” Era desta forma que políticos e estadistas de todo o mundo impuseram as suas ideologias. O jornal foi um grande aliado, mas a rádio desenvolveu um papel sem precedentes. Actuava sobre a mente e criava imagens ilusórias de personalidades que não existiam. Apenas a palavra era suficiente. Já vivíamos numa fase depois de Aristóteles, onde a comunicação social era imprescindível, mas onde a palavra era o centro.

E agora, o que é mais importante? A palavra, a comunicação social ou a imagem? A que recorrem os políticos para entrar na opinião pública? Como é a realidade do século XXI?

O marketing político depende de um aliado importante. Estratégias da Comunicação. Sem uma estratégia previamente pensada e delineada, definida, enquadrada, pensada para actuar na Opinião Pública, não se ganham eleições. Um político precisa de saber o que o público quer para “dizer o que ele quer ouvir” e conquistar votos. Precisa de saber onde ganha mais votos. Como pôr a Opinião Pública a pensar no mesmo.

Mas alguém ainda acredita que consegue mais ou menos votos por causa de um outdoor no coração de Lisboa? Eu diria mais, todos os outdoors que estão colocados de norte a sul do país são um autêntico desperdício, não tendo qualquer efeito no eleitorado.” (João Adelino Faria).

Campanhas eleitorais, comunicação política, já não dependem de intuição política. São, cada vez mais, estruturadas e organizadas para levar a pensar neste e não naquele sentido. A comunicação social é cada vez mais o alvo dos políticos, como forma de atingir a população. Mas os políticos, ou os seus partidos, não se podem dar ao luxo de deixar nas mãos de um jornalista escolher, segundo critérios editoriais, o que é notícia, por isso arranjam-se inúmeras formas de actuar na Comunicação Social, leva-los a passar a mensagem que os políticos querem passar, para depois essa mensagem ser transmitida ao público eleitor.

Através da análise comparativa com a série “Os Homens do Presidente” pretende-se dar a conhecer algumas das ferramentas politicas da era moderna. E mesmo tratando-se de ficção, a verdade, é que não anda assim tão longe da realidade, se ao facto juntarmos exemplos da realidade política mundial!

Aliás, no Ensaio Geral (episódio 5, da quarta temporada), é dada relevância à estratégia de comunicação para ganhar eleições. Eles encontram-se num retiro, onde é estudado e ensaiado o debate final que o presidente terá com o adversário. Todas as perguntas são minuciosamente estudadas, até as palavras usadas são tidas em conta. Noutro cenário, do mesmo episódio, percebe-se a preocupação com a gestão dos estados onde o presidente deve actuar e insistir. Têm um mapa com as zonas assinaladas, onde devem transmitir mais ou menos publicidade televisiva.

Este episódio revela o lado estratégico, mas puro, do marketing político, em que há um esforço crescente na preparação e organização de tudo. Nada é deixado para trás, tudo é pensado ao pormenor.

Já no episódio Na esquina da 18ª Polomac (episódio 21, da segunda temporada) é também demonstrada a preocupação e definição de uma estratégia de comunicação. Primeiro pede-se uma sondagem, depois define-se como o presidente vai reagir – um discurso com a mulher, num directo (live e não tape – não querem arriscar montagens da produção), qual a sala, qual o dia (“quarta-feira é um bom dia”). Procuram ter acesso prévio aos diagnósticos da doença e sintomas. Preparam as perguntas que possam ser feitas pelos jornalistas, assim como as respostas. Entre outros pormenores, como a presença do vice-presidente, ou não, como o ensaio da mulher Abbey, etc.

Mas como dar à Comunicação Social o que querem que seja noticia? Serão os jornalistas assim tão ingénuos? A que ferramentas recorre o marketing político para actuar na Opinião Pública?

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