
"A minimum of sound to a maximum of sense.” Foi assim que Mark Twain definiu o recurso a soundbites. Basicamente, resume-se a uma pequena frase, que sumariza e transmite a ideia da pessoa que está a falar. É uma espécie de palavras-chave, que permanecem, facilmente, na memória daqueles que estão a assistir. Por este motivo, é um instrumento, frequentemente, recorrido dos políticos, em discursos, campanhas eleitorais, cartazes, etc.
Trata-se da ideia principal que o politico quer deixar na memória do eleitorado, ou da Opinião Pública.
Em tempo de campanhas eleitorais, o discurso dos políticos torna-se mais urgente. Torna-se mais necessário passar esse discurso para a Opinião Pública. No entanto, as notícias não têm tempo ilimitado para os políticos. Há uma concorrência pelo máximo de tempo no espaço mediático, que é contado e acertado pelos jornalistas. Qual é o politico, que, hoje em dia, está disposto a esperar que o jornalista acerte na parte do discurso que ele quer passar? Qual é o político que arrisca?
Nenhum. Ao contrário do ditado popular, aqui quem arriscar pode não petiscar. Estou a falar em passar mensagens para o público e saber que a mensagem pretendida foi escolhida. Como podem os políticos garantir essa segurança?
“As frases são escolhidas pelos jornalistas, mas muitas são construídas pelos políticos ou autores dos seus discursos para se imporem naturalmente aos jornalistas como aqueles índices de destaque para as suas notícias, televisivas ou não.” São os políticos que enfatizam “as partes mais importantes” do discurso. Aquilo que deve ser noticia.
Actualmente, além de se enfatizar essas partes, os discursos são distribuídos pelos jornalistas com as “partes importantes” sublinhadas ou destacadas do restante texto. Chama-se a isto, manipular as mensagens, o jornalista, a opinião pública.
Por isso em tempo de apelar às consciências “surgem os "slogans" políticos que, como os da publicidade, são, no fundo, ordens de voto ou de consumo dadas à massa.”
Mas o soundbite não é fruto de uma política actual ou recente. A forma como é oferecida aos jornalistas é que se destaca pela actualidade. O soundbite remonta a anos anteriores. E se remetermos ao século XX, podemos “descrever com expressões-síntese "sangue, suor e lágrimas" (Churchill). "Somos todos berlinenses" (Kennedy). "O imperialismo é um tigre de papel" (Mao). "A imaginação ao poder" (graffiti do Maio 68). "Nuclear? não, obrigado!" (crachás da década de 70). Mesmo entre nós, do "obviamente, demito-o" (Delgado) ao "para Angola, rapidamente e em força" (Salazar).”
Mas em Portugal, também encontramos soundbites, que fizeram notícia, penetraram na Opinião Pública e, ainda hoje, permanecem na memória dos portugueses. Com “Cavaco Silva "Nunca me engano e raramente tenho dúvidas."” E o “"país de tanga"” de Durão Barroso são exemplos que marcaram as notícias.
Mais recentemente, temos “os dois pés bem assentes no Porto” e “o Porto em primeiro” de Rui Rio, num discurso de apresentação de candidatura recheado de soundbites.
Na série “Os Homens do Presidente” ouve-se da comissão republicana “oito anos é suficiente! oito anos é suficiente!” em As coisas Correm (episódio 21, da sexta temporada), a mesma ideia repetida várias vezes, de forma a ficasse na memória.
Também, em Universitários (episódio 3, da quarta temporada) o presidente Bartlet no seu discurso, aquando de um atentado a uma universidade americana promove alguns soundbites sobre o que tem sido feito pela educação, o que precisa ser feito, o que irá ser feito, repetindo algumas palavras, que se formavam a ideia repetida dele, que era o que ele queria passar para a opinião pública.
“BARTLETThere's not enough character, discipline, and depth in our classrooms. There aren't enough teachers in our classrooms. There isn't nearly enough, not nearly enough, not nearly enough money in our classrooms, and we can do something about that. We're not doing nearly enough, not nearly enough to teach our children well. And we can do better, and we must do better, and we will do better. And we will start this moment today!” Já no episódio Ensaio Geral (episódio 5, da quarta temporada), vê-se a equipa de assessores a escrever e preparar os soundbites para passar a mensagem aos jornais.
“TOBYLet's line up people for IP, the mornings... "Cornell Rooker has an exceptional record as a U.S. attorney... a leader in fighting employment discrimination... was college chair of...He's tough on crime, he's fair on justice." That's the line. Say that. Do not say that. What the hell was that? "He's tough on crime, he's fair on justice." Sings a song, has a moustache? What is that supposed to...”
“JOSHHere it is. "Take a thorough look at Cornell Rooker's record; you'll see... he's fought for justice his entire career. If you take a thorough look at Cornell Rooker record, you'll see he's fought for justice his entire career."
Também, no filme Spinnig Boris é frequente o recurso à manipulação das mensagens transmitidas nos media russos. Neste caso as mensagens repetidas estão presentes nos anúncios de televisão, que contam com soubdites de cinco segundos. Referem-se, na maioria, contra a máfia e a pobreza, contra a guerra e preocupação com a população.
A primeira característica de um soundbite. Quando (e cada vez) mais pequeno, mais eficaz! A segunda característica tem de ser facilmente decifrável pelo jornalista, para que ele o transforme em notícia. “Com os dois pés bem assentes no Porto” (exemplo) é curto, é, claramente notícia, por ser um soundbite de campanha, que actua na Opinião Pública, porque dá a sensação de proximidade, mas, e ao mesmo tempo, vai ser notícia por constituir um ataque à oposição.
Soundbite é, portanto, uma frase, que, passível de várias interpretações, diz tudo o que o politico quer transmitir! O famoso e internacional “Yes, we can!” de Barack Obama, actual presidente dos Estados Unidos, correu a América, e o mundo. Foi o soundbite da campanha Obama, que esteve presente ao longo de meses e se fixou na presença diária dos americanos.
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