
Aristóteles considerava que antigamente “para haver comunicação bastava considerar três elementos: a pessoa que falava, o discurso que prenunciava e a pessoa que escutava”[1].
Se olharmos para o panorama actual percebemos que, para além dos três elementos de Aristóteles é necessário um mediador: a comunicação social!
Hoje em dia, comunicação não existe sem uma estratégia. Se revertermos o caso à política, o panorama intensifica-se.
Politica, por si só, pressupõe a direcção a um público, que se quer vasto e diversificado. Mas esse público “tem, em relação a diversos assuntos, determinadas atitudes, que se exprime, sob a forma de opiniões”[2], ou aquilo a que chamamos Opinião Pública.
A opinião pública tem evoluído e para um qualquer político, penetrar nessa teia são necessárias novas estratégias. Estratégias que passam pelo Marketing Politico, ou pela Propaganda eleitoral?
Se entendermos Marketing Político como aquele que pressupõe a “venda” de um político à opinião pública, através de uma estratégia definida, então, também, podemos falar em propaganda eleitoral ou de competição, que “tem mais afinidades com a publicidade. Desenvolve-se normalmente num intervalo de tempo breve e com um objectivo limitado”[3].
Através desta tentativa de definição percebemos que marketing e propaganda podem ser sinónimos, nesta matéria, uma vez que o objectivo último dos dois se prende com a introdução das ideias do político na opinião pública, através de uma estratégia, cada vez mais evoluída e pré-estabelecida.
No entanto… “A palavra propaganda se refere à transmissão de ideias políticas, nada tem a ver com promoção de sabonetes, champôs, fraldas ou políticos descartáveis”. Propaganda é muitas vezes confundida com publicidade (ou marketing). Propaganda “procura criar, transformar certas opiniões, empregando, em parte, meios que lhe pede emprestados; distingue-se dela, contudo, por não visar objectos comerciais e, sim, políticos: a publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas.”
Mas na sociedade actual, onde está a diferença… marketing é a forma de “sofisticar” e atenuar o facto de se publicitar ideias junto de um público-alvo. Trata-se da forma evoluída da propaganda. Propaganda, que exprime um carácter negativo, quando associada às políticas ditatoriais. Todavia, mudam-se os nomes, mas ficam as vontades!
[1] LAMPREIA, J. Martins, “Técnicas de Comunicação”, Lisboa, Europa-América, 7ª edição, 1996, página 21.
[2] LAMPREIA, J. Martins, “Técnicas de Comunicação”, Lisboa, Europa-América, 7ª edição, 1996, página 31.
[3] LAMPREIA, J. Martins, “Técnicas de Comunicação”, Lisboa, Europa-América, 7ª edição, 1996, página 69.
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