Pode-se definir pseudo-eventos (ou pseudo-acontecimentos) como “acontecimentos ‘artificiais’, não espontâneos, criados para serem cobertos pelos media e cujo sucesso depende da amplitude da sua cobertura. Correspondem à procura crescente de notícias que caracteriza as democracias contemporâneas.” (Daniel Boortsin)
Mas porquê pseudo-eventos? Porque os eventos são organizados com algum tipo de interesse, como uma “falsa realidade”, em que os acontecimentos são preparados para chamar as atenções dos jornalistas e, quase, que tornar obrigatória a publicação daquele evento, em que determinado ministro ou político participaram. É, em suma, mais um pretexto para que as notícias sejam sobre aquilo que os políticos desejam, garantindo, desta forma, a tão renhida luta pelo espaço mediático nos media.
Para os políticos os pseudo-eventos são a melhor forma de atrair as atenções dos jornalistas, e ocupar assim, mais um espaço no jornal, na rádio ou na televisão. O importante, para o político, é que seja falado pelos media, e com as mensagens que quer passar para o público, que de outra forma era impossível. “Os políticos e os jornalistas são os maiores criadores de pseudo-eventos. Os primeiros, porque precisam de ser notícia, na medida em que é essencialmente através dos media que transmitem aos cidadãos as suas propostas e as suas ideias, e os segundos porque precisam de satisfazer as expectativas dos seus públicos em matéria de informação.”
Há quem defina para pseudo-eventos, a designação de “Factos Políticos”. Na medida, em que estes psuedo-eventos têm maior relevância para os políticos, logo é mais vezes executado por eles. E na sequência de que alguém cria alguma coisa para ser noticiado. Algo que tem como objectivo último atrair os jornalistas e levá-los a fazer notícia.
Maioritariamente, estes factos ou pseudo-eventos, baseiam-se na artificialização, porque não são eventos de facto. São, apenas, eventos criados para aquele objectivo.
Um exemplo. No Dia Mundial da Criança, 1 de Junho (2009), o presidente e, também candidato à Câmara Municipal do Porto, organizou e convocou os jornalistas a estarem presentes no Jardim do Palácio de Cristal, onde estariam inúmeras escolas, e divertimentos, a fim de saudar e celebrar o dia.
O presidente esteve lá, as crianças estiveram lá, e os jornalistas também estiveram lá. A única intenção do presidente era só fazer uma declaração à comunicação social com uma crítica ao sistema judicial, remetendo ao caso Alexandra, que tem chocado a Opinião Pública. Depois disso acabou a visita e os jornalistas, minutos depois já passavam na rádio o som do presidente. Este é talvez, um caso claro de pseudo-evento.
Este é um exemplo já corrente do sistema político português. Mas, também, conferências de imprensa às 20 horas (hora do jornal da noite, o que implica fazer directos, logo não há montagens, e mais espectadores), flash-views, briefings, inaugurações, debates, sondagens de opinião e fugas de informação podem ser momentos criados para dar notícias, e atrair as atenções dos jornalistas.
Mas como se pode distinguir um pseudo-evento de um evento normal, sem essas intenções? Os pseudo-acontecimentos “não são espontâneos. Foram planeados. São criados para serem reportados ou reproduzidos e são concebidos em função dos interesses dos media. O seu sucesso mede-se pela amplitude da sua cobertura. A sua relação com a realidade subjacente à situação é ambígua e, geralmente, visam a autopromoção.”
Os pseudo-eventos não exigem muita imaginação. “Basta tentar aproveitar uma oportunidade. Por vezes é muito simples: dia 8 de Março de 2003, Dia Internacional da Mulher. O então Presidente da República teve um encontro com mulheres imigrantes, no decorrer de uma Presidência Aberta dedicada à imigração. Por sua vez, O primeiro-ministro almoçou com meia centena de mulheres polícia. Os dois «acontecimentos» tiveram uma boa cobertura dos media”. E podem ser pensados com muita antecedência – comícios eleitorais – ou em poucos minutos – numa conferência de imprensa. Podem ser especificados para a cobertura televisiva ou apenas para a imprensa escrita. Se se destinarem a serem mais imediatos insiste-se na rádio. Em suma, dependem sempre do objectivo em jogo!
Na serie d’ “Os Homens do Presidente” é possível identificar, também, casos de pseudo-eventos. Em Na esquina da 18ª Polomac vai ser realizado um programa televisivo na Casa Branca, com o presidente e a primeira-dama, para ser revelada a doença do presidente e explicar a situação. Este programa foi organizado e pensado pelos assessores minuciosamente:
“SAMWhy not a Presidential address? Ten - fifteen minutes. 'I have this illness, I concealed it, I apologize. Let me tell you about it. Let me reduce your fear.'
C.J.He needs to be with the First Lady. SAMIn some decorative room? Sitting with his wife weakens him. Let's put him behind the Kennedy desk. Let's put him in the East Room. Let's put him in the Briefing Room. C.J.Sam, he's gonna go on TV and say he lied, I don't want him doing it behind the Seal of the President. C.J.We'll do a 30-minute live special from one of the news magazines. JOSHLive, live to tape or tape? C.J.Live, I don't want a producer editing what he says. SAMHow about Thursday night?C.J.Wednesday night. C.J.'Cause Thursday night is when they pay their bills, and it's going to be tough enough getting 30 minutes and not telling them why we're not cutting into their bread and butter during May sweeps.”
Também, n’ “Os Homens do Presidente”, em O Poeta Laureano (episódio 17, da terceira temporada) aparece no início um ciclo de várias entrevistas ao presidente Bartlet, em directo da Casa Branca. Na verdade este ciclo de conferências tratam-se de pequenos pseudo-eventos, organizados e preparados previamente.
Este tipo de pseudo-eventos aparece a ser discutido e preparado, assim como, meticulosamente, organizado e debatido com os agentes de televisão no episódio Vera Wang Negro (episódio 21, da terceira temporada).
“TOBYAnd we have to call it programming?
MANCall it what you like, we call it programming. TOBYThe panels were a little dry last time. MANTwo panels on deficit reduction. TOBYMonday night we've got real people. The president's met across the country reading planks from the platform. Scott O'Leary's doing the keynote. The Harlem Boys'Choir is singing the National Anthem. Tuesday is Mrs. Bartlet and Rev. Lydell. We've got a panel with women senators on biomedical research, breast cancer breakthroughs, medical privacy issues... Look, uh, a Dean Martin roast it ain't, but... MANWe're thinking about cutting back on our coverage. MANWe're talking about an hour. TOBY[laughing] You can't do an hour a night, that's just...” No filme Spinnig Boris é evidenciado um destes momentos. Já durante a campanha eleitoral de Yeltsin, é pensado um evento, onde seria plantada uma árvore pelo candidato, porque no resultado do focus group feito, anteriormente, ele precisava de se mostrar mais voluntário, mais caridoso e de se envolver mais com o público. Os assessores resolveram organizar um evento onde seria plantada uma árvore pelo próprio candidato.
No entanto, a árvore foi escolhida, para que não houvesse o risco de o candidato não conseguir pegar nela, além disso, não podia ser muito grande para não tapar a imagem dele a plantá-la. Foi simulado um grupo de pessoas que estariam lá a apoiá-lo, mas apenas tinham sido comprados para o efeito. E depois foi enviado o circular a anunciar daquela iniciativa, que garantiu mais uns pontos positivos para o candidato.
Aqui, deve relembrar-se que o filme é baseado num caso real, e que além do pseudo-evento, este ainda foi, pormenorizadamente, preparado para que nada corresse mal.



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