Um qualquer político nunca chega a toda a opinião pública. Embora a sua maior preocupação seja para com o público. Para o atingir da melhor maneira, o político (ou assessores) planeia, molda a comunicação social, que por sua vez, desdobra a mensagem, preferencialmente pretendida, para a opinião pública. Daí que tudo, ou quase tudo, em política seja minuciosamente estudado, previsto e pensado ao pormenor.
Desde os magníficos discursos dos políticos à alteração de imagem em função da opinião pública. Tudo é previamente planificado. Um discurso político, que, até, ostenta um trabalho de horas de preparação, não é escrito pelo político que o vai dizer, ou melhor, na grande maioria, não é o político. O discurso é alterado vezes sem conta (Homens do Presidente – Discurso do Estado Nação). Nenhuma palavra pode ser interpretada com dois sentidos (Homens do Presidente – Ensaio Geral). A linguagem tem de estar acessível aos jornalistas, não pode haver espaço para “mas o que é que ele disse quis dizer ali?”.
Os jornalistas são, portanto, forçados a pensar como dá mais jeito ao político. As notícias são aquilo que os políticos querem passar para a opinião pública. E agora perguntamo-nos, como é este cenário tão permeável e possível? Serão os jornalistas tão ingénuos ao conformarem-se com a situação?
A imagem de um político é tida imensas vezes em conta. Qualquer pormenor em falso pode ser usado para outros fins que não a persuasão política. Mas então os políticos são, ou não a imagem que mostram? Encenam outras personagens? Ou serão apenas mais um fruto da estratégia minuciosa? Sppining Boris – “yeltsin bebe muito”, “yeltsin devia sorrir mais”, “Yeltsin devia ser mais atencioso”…Yeltsin transformou-se num produto eleitoral, que é vendido para agradar aos gostos das populações. É assim que, na sua grande maioria, se fabricam políticos perfeitos.
Ao longo dos tempos, o espaço mediático nos media foi ficando reduzido, e as técnicas para tentar penetrar nesse meio foram aumentando! Já não se faz política porta-a-porta, hoje em dia é em redes sociais na internet. A política baseada na intuição do candidato já não é suficiente para atingir a opinião pública. Hoje em dia, são necessários estudos antes de se saber onde apostar durante a campanha. Hoje em dia, são estudadas e planificadas as melhores formas de entrar na opinião pública – desde pseudo-eventos positivos, a fugas de informação estratégicas, passando pelo controlo das mensagens. Tudo é meticulosamente preparado, com horas ou, até, meses de antecedência, quando se fala em campanhas eleitorais.
Aquilo que foi apresentado neste blogue explícita algumas das técnicas infindáveis e sofisticadas de atrair as atenções jornalísticas e persuadi-las a publicar o que eles desejam. Algumas das formas de conseguir um espaço na opinião pública. É sabido que “na corrida às urnas tudo é válido”, a minha única questão é: será que os jornalistas não percebem que estão a ser manipulados?
Os meios de Comunicação Social são, portanto, o seu veículo de manipulação mais importante. É a eles, que o spinning se dirige. É as suas atenções que ele pretende alcançar, pois a imprensa, ou, generalizando, a comunicação social, “pode tanto destruir como eleger um candidato”. No caso do spinning, elege candidatos!
Todo este conceito de spinnig está volvido de algum secretismo, mesmo pela validade da actividade desenvolvida, daí, que tenha relacionado no mesmo tema, manobras de bastidores. Porque, no fundo, o que a actividade de spinning faz são manobras, que controlam os mass media, e por esse meio toda a opinião pública. Porquê “de bastidores”, porque ninguém anda na rua dizer “eu preciso de alguém que faça spinning, para ganhar as minhas eleições”, logo, a actividade é volvida em secretismo e misticismo, nos “bastidores da política”.
No entanto, o spinning não se faz sozinho. E, também, muitas vezes, ou quase sempre, não é o “simples” assessor de imprensa a fazer. Nos Estados Unidos surgiu o termo Spin Doctor.
Quando é que aparece um spin doctor? Sempre que seja necessário desviar atenções. Sempre que seja importante sobrepor um assunto a outro. Sempre que seja relevante manipular. Pode dizer-se que o spin doctor é “o senhor resolve tudo” (Manobras na Casa Branca), que está presente em momentos de crise. Manipula a realidade, criam manobras de diversão, destroem adversários.
Há duas formas de um político reagir a uma crise. Com comunicação de crise, revelando transparência, disponibilidade, segurança e transmitindo confiança. Ou com spinnig – alteração da realidade, deturpação do conceito de verdade, onde, a maior parte das vezes joga com a mentira e a farsa. Pode mesmo dizer-se que o spinning, ou os spin doctors, criam uma realidade, inventam uma realidade falsa, para esconder ou esbater uma realidade verdadeira!
To spin, em inglês, significa “desviar a trajectória”. Neste caso concreto, encaminhar a opinião pública para uma trajectória, para a qual não iria sem a intervenção do spin doctor. A opinião pública é manipulada através de informações favoravelmente controladas, que visam um objectivo, ou desviar atenções de determinado assunto, ou actuar na formação de consensos dentro da opinião pública.
“Homem do pormenor e especialista em golpes baixos é um pioneiro das novas tecnologias”.[1] Distinguem-se pelo secretismo, obviamente, ou talvez, por se aplicar a um campo do “vale tudo”, baseado em vigarices que não convêm ser anunciadas publicamente porque, acima de tudo, são condenáveis. Por isso, se classifica que um spin doctor actua à margem da lei.
Já não estamos no campo da assessoria, pura. Mas de alguém que, sem olhar a meios, serve-se de todas as munições e uma fértil imaginação para servir o seu cliente utilizando, se necessário, golpes mais baixos. Um spin doctor não deixa impressões digitais directas e não contacta com a comunicação social.
No filme Manobras na Casa Branca, apesar de ficcionário sobre esta realidade, ele expõe o tema com uma certa relevância aos pontos acima referidos. Conrad Brean é contratado para garantir a reeleição do presidente, sendo que não tem contacto directo com o próprio. O presidente não aparece, nem mostra a cara ao longo do filme, o que eleva a posição de poder e de destaque de um spin doctor. É implementado sempre algo fictício, como é o caso da “guerra criada”, acabando mesmo por ser descoberto pelos agentes da CIA. A quem, ousadamente, foi comprado ou seduzido o próprio silêncio das autoridades. Manipula-se a realidadea fim de desviar as atenções dos media e, ao mesmo tempo, distrair a opinião pública, com a produção e estratégia da pormenorização de um filme, que não passa de “mais uma ficção de Hollywood”, desta vez comprada, para simular uma guerra.
Também outro filme se assemelha a este no recurso ao spinnig para eleger um presidente. Spinning Boris é um filme que retrata a realidade de uma estratégia bem definida por três americanos, que foram contratados para que o presidente Boris Yeltsin fosse reeleito. Tal como no outro filme referenciado, recorrem a algo fictício, neste caso a alteração da imagem do presidente Boris, que passa a mostrar-se mais sorridente e comunicativo com os seus eleitores, mais próximo do público e até mais solidário, ao plantar, ele próprio uma árvore. E, também, aqui é demonstrada a necessidade de controlar a sociedade, como forma de atingir o objectivo proposto.
O conceito de Spinning é, habitualmente, associado às ideias chave de “jogo sujo”, de “vale tudo”, onde se segue o velho ditado popular “não se olham a meios para atingir os fins”. Inventa-se uma guerra para manter a comunicação social e a opinião pública entretida! Estamos a falar no recurso a manobras que “envolvemétodos de manipulação de informação, abertos ou encobertos, pelos agentes políticos em posição de poder”[2]
No final do filme Manobras da Casa Branca, o produtor da guerra inventada para desviar as atenções do escândalo sexual e conseguir tempo e espaço nos media, quer a glorificação do seu trabalho, não entendendo que não pode revelar tudo o que havia sido encenado até ali. Como ele não entendeu, acabou por ser assassinado para que não dissesse nada à Opinião Pública, ainda que inconscientemente. É um espaço onde o “vale tudo” vale mesmo tudo!
Acima de todas as características acima enunciadas sobre o spin doctor e sobre a actividade de spinning, para mim a que mais se adequa é a de minucioso. Sem dúvida, que alguém que vive na sombra, à margem da lei, que vive numa actividade desregulamentada e nem se quer reconhecida, tem de ser alguém minucioso. Nada pode falhar. E é esse mesmo pormenor que mais atenção chama no filme Manobras na Casa Branca, em que os pormenores são pensados à exaustão. Aquando da encenação de mais uma parte do filme, calha de estar a chover, e a preocupação de Cornad Brean foi “vai chover onde o presidente está? Então desviem o avião para um sítio onde vá a chover”.
Também em “Os Homens do Presidente”, no Universitários (episódio 3, da quarta temporada) o Ministro dos Negócios Estrangeiros de um país ficcional (Qumar) é considerado terrorista. Perante a situação, a equipa do presidente Bartlet manda assassiná-lo, mas o assunto fica encoberto. No entanto, um jornalista descobre e começa a investigar. Perante a eventual situação de crise, os envolvidos, avançam com uma campanha de contra-informação ou o spinning!
Destroem um documento que continha as provas do acto ilegal, e contratam uma advogada para preparar a defesa, quando a noticia vier à opinião pública.
Porém, chegam a um ponto, em que é inevitável o spinning. Não podem chegar à comunicação social e simplesmente assumir “eu sou o presidente dos Estados Unidos e mandei matar o ministro dos negócios estrangeiros de Qumar.” Então o grupo envolvido decide avançar com um plano estratégico, há que acentuar que foi pensado e desenvolvido por eles, não contou com a actuação de terceiros, ou de um spin doctor.
“BARTLET
All right. In the meantime, what do we do have by way of stalling tactics?
LEO
A misinformation campaign.
FITZWALLACE
Sir, State feels the Shareef was never comfortable with the Sultan's friendly relationship with the West.
BARTLET
State thinks he had a friendly relationship with the West.
Inventam o que vão dizer quando forem descobertos. Spinning ao mais alto nível e sem a participação, pelo menos visível, de um agente desse ramo. Mais o caso vai, ainda, mais longe. Chegam mesmo a inventar documentos, fotografias, sons áudio, e, até, um duplo do agente, que supostamente estará vivo.
Neste episódio é apreciável a facilidade com que se criam e ficcionam situações para cobrir outros acontecimentos. Desde logo, sente-se a forte presença da desregulamentação, que em caso de existência reprovaria este tipo de atitudes.
Porém, em democracia, em política, em matéria de opinião pública, o “vale tudo” é a regra máxima pela qual se regem. Não há regras, não há regulamentação, não há preocupação. Há um problema sem solução à vista? Distrai-se a opinião pública. Inventa-se a situação perfeita, influencia-se os jornalistas, e passam a “heróis” da opinião pública! Afinal de contas, “não importa como se chega lá, o importante é chegar”! (Manobras na Casa Branca)
A campanha negativa existe quando a preocupação maioritária é o negativismo da mensagem para com o adversário. Se num discurso contiver uma mensagem positiva e alguns ataques negativos, não se pode considerar campanha negativa. Porque campanha negativa tem sempre como prioridade o ataque negativo ao adversário.
No entanto, a mensagem negativa já foi lançada para a Opinião Pública. Mesmo com estes efeitos, a mensagem foi lançada e, de certa forma, já processada pelo eleitorado. E é “mais fácil memorizar uma mensagem negativa do que uma referência positiva.” É por isso, que mesmo sendo conhecidos estes efeitos, a campanha negativa não perde adeptos entre os políticos.
Pelo contrário. Nas recentes eleições americanas, o candidato McCain atacou Barack Obama com campanhas negativas, onde o apelidava de “Dr. No”, por dizer que não a muitas medidas já impostas ou propostas pelo próprio McCain.
Mas se, actualmente, as campanhas negativas para serem classificadas como tal, devem ter um rosto, uma identificação, um adversário. Essa característica tende a esbater-se, ou a acabar, com o avançar das tecnologias, e o recurso a meios cibernéticos para, igualmente, fazer campanhas eleitorais. Se as campanhas negativas passam a ter como veículo de propaganda a Internet, então nesse caso, arriscamo-nos a assistir a campanhas negativas sem rosto, apenas com adversário.
Tudo começou com uma troca de correspondência entre Damian McBride, principal conselheiro de Brown, e o bloggerDerek Draper, antigospin doctordos trabalhistas. Vários e-mailschegaram às mãos de outrosbloggers (Guido Fawkes, que os tornou públicos) e aos jornais.”
Este fenómeno já chegou a Portugal. Chegou a Portugal há quatro anos, nas últimas eleições legislativas do PSD (Santana Lopes) contra o PS (José Sócrates), em que o vencedor foi o alvo da campanha negativa – José Sócrates. E voltou a aparecer, em quantidades reduzidas, na campanha para as eleições europeias, com o Bloco de Esquerda “Porreiro para quem, pá? – quem nos meteu na crise, não nos tira dela”.
Assim como na série “Os Homens do Presidente”, no episódio Vera Wang Negro (episódio 20, da terceira temporada) o episódio gira à volta de um anúncio de campanha negra contra o presidente Bartlet, que chegou à Casa Branca e não tem identificação, ou “pago por”. O anúncio actuava sob a “moralidade, valor…” e foi feito, para armar uma cilada e obrigar Bartlet a assinar um acordo, que ele se recusava a assinar.
Neste caso, a campanha negativa acaba por ser reproduzida nas notícias, e não como publicidade tradicional, o que incutiu um maior impacto e credibilidade à mensagem transmitida.
Por outro lado, em Vida em Marte (episódio 21, da quarta temporada) verifica-se a equipa de Bartlet a preparar um contra anúncio de campanha negativa, contra outra que havia criticado as políticas do presidente.
Contudo, é em Jantal com Al Smith (episódio 6, da sétima temporada) que o tema campanha negativa assume outros contornos. Santos, o candidato democrata, assiste na televisão a uma campanha completamente negativa sobre uma posição, que é contrária à sua, acabando por se sentir ofendido, com o que estava a ser divulgado, pela Comunidade e Integridade para a Vida Humana. No entanto, pensava-se que a campanha tinha sido divulgada pelo Vinick e declaram uma contra-campanha.
É neste episódio, que pela primeira vez, se avalia o impacto de uma campanha negativa. E acabam por perceber que a campanha negativa tinha “funcionado”, pejorativamente, para Santos, pois quanto mais passava, mais as pessoas ficavam a conhecer o seu suposto lado negativo, que nem correspondia à verdade.
O anúncio foi buscar uma frase descontextualizada de Santos acerca do assunto e com o anúncio estão a passar uma mentira sobre o candidato democrata.
Para contra-ataque, escolhem uma porta-voz, na casa dos 40 anos, e atacam-nos através da imprensa. “Don't use our regular spokesman. Find a woman. You know, 40-something, soccer mom” (Josh). Estabelecem uma estratégia de contra-ataque, recorrendo à Comunicação Social para divulgar a sua mensagem.
No filme Spinnig Boris a campanha negativa é uma constante referência, como uma arma para ganhar eleições. No entanto, no paradigma russo este tipo de “golpes” não era bem aceite e os assessores andam, durante quase todo o filme a convencer a filha de Yeltsin para avançarem para a campanha negativa.
Já a poucos dias das eleições Boris Yeltsin é internado e corre o risco de não vencer as eleições, devido ao rumor de doença, é nessa altura, que a filha de Yeltsin autoriza a campanha negativa e é produzido um vídeo com o plano do outro candidato em levar o país à miséria.
Começam a ser divulgados vários anúncios de campanhas negativas na televisão, fazendo sempre referência à guerra. Neste caso, a campanha negativa serviu para sabotar o adversário e tirá-lo, literalmente, da corrida. Yeltsin venceu as eleições com três pontos de avanço, que ganhou aquando da transmissão do primeiro anúncio negativo.
Num dos episódios d’ “Os Homens do Presidente”, O Poeta Laureano (episódio 17, da terceira temporada) é demonstrado um tipo de campanha negativa sofisticada. Sofisticada porque é o próprio presidente que a executa. Mas não só. O presidente Bartlet aproveita uma oportunidade em directo na televisão, e passa uma mensagem negativa sobre o seu adversário político, fazendo parecer que tinha sido um comentário involuntário e sem conhecimento de que a câmara ainda estava ligada.
“TV REPORTER
I mentioned Governor Ritchie's book because I was hoping you'd rise to the bait.
O presidente Bartlet acabava de denegrir a inteligência do adversário. Ainda que depois seja desvalorizado o assunto perante as perguntas dos jornalistas (comunicação de crise), a mensagem já tinha passado para a Opinião Pública. É, portanto, intencional a metáfora do presidente.
Aproveita um suposto momento em off, passando a mensagem desejada para o público. Depois a ideia é desvalorizada, mas a mensagem já tinha sido lançada ao público, que já fazia os seus juízos de valor. O presidente chega a ser, mesmo, indiciado de fazer “acused campaingn”, mas continuava a desvalorizar o assunto, perante os media, e mesmo perante os assessores, que estavam preocupados como iriam manipular aquela situação (How hand is to spin?).
Trata-se de um golpe altamente sofisticado. De outra forma, o presidente não tinha como passar aquela imagem, e uma “simples” campanha negativa não actuava como forma. O jornalista pensava que tinha sido um descuido, mas afinal era propositado, e o jornalista é que foi usado pelo presidente Bartlet.
Esta é uma forma evoluída das campanhas negativas. De anúncios contra-publicitários, evoluísse para uma manipulação dos media para se passar as mesmas mensagens negativas, mas de uma forma mais oficial, e com maior impacto.
"A minimum of sound to a maximum of sense.” Foi assim que Mark Twain definiu o recurso a soundbites. Basicamente, resume-se a uma pequena frase, que sumariza e transmite a ideia da pessoa que está a falar. É uma espécie de palavras-chave, que permanecem, facilmente, na memória daqueles que estão a assistir. Por este motivo, é um instrumento, frequentemente, recorrido dos políticos, em discursos, campanhas eleitorais, cartazes, etc.
Trata-se da ideia principal que o politico quer deixar na memória do eleitorado, ou da Opinião Pública.
Em tempo de campanhas eleitorais, o discurso dos políticos torna-se mais urgente. Torna-se mais necessário passar esse discurso para a Opinião Pública. No entanto, as notícias não têm tempo ilimitado para os políticos. Há uma concorrência pelo máximo de tempo no espaço mediático, que é contado e acertado pelos jornalistas. Qual é o politico, que, hoje em dia, está disposto a esperar que o jornalista acerte na parte do discurso que ele quer passar? Qual é o político que arrisca?
Nenhum. Ao contrário do ditado popular, aqui quem arriscar pode não petiscar. Estou a falar em passar mensagens para o público e saber que a mensagem pretendida foi escolhida. Como podem os políticos garantir essa segurança?
Actualmente, além de se enfatizar essas partes, os discursos são distribuídos pelos jornalistas com as “partes importantes” sublinhadas ou destacadas do restante texto. Chama-se a isto, manipular as mensagens, o jornalista, a opinião pública.
Mas em Portugal, também encontramos soundbites, que fizeram notícia, penetraram na Opinião Pública e, ainda hoje, permanecem na memória dos portugueses. Com “Cavaco Silva "Nunca me engano e raramente tenho dúvidas."” E o “"país de tanga"” de Durão Barroso são exemplos que marcaram as notícias.
Na série “Os Homens do Presidente” ouve-se da comissão republicana “oito anos é suficiente! oito anos é suficiente!” em As coisas Correm (episódio 21, da sexta temporada), a mesma ideia repetida várias vezes, de forma a ficasse na memória.
Também, em Universitários (episódio 3, da quarta temporada) o presidente Bartlet no seu discurso, aquando de um atentado a uma universidade americana promove alguns soundbites sobre o que tem sido feito pela educação, o que precisa ser feito, o que irá ser feito, repetindo algumas palavras, que se formavam a ideia repetida dele, que era o que ele queria passar para a opinião pública.
Já no episódio Ensaio Geral (episódio 5, da quarta temporada), vê-se a equipa de assessores a escrever e preparar os soundbites para passar a mensagem aos jornais.
Também, no filme Spinnig Boris é frequente o recurso à manipulação das mensagens transmitidas nos media russos. Neste caso as mensagens repetidas estão presentes nos anúncios de televisão, que contam com soubdites de cinco segundos. Referem-se, na maioria, contra a máfia e a pobreza, contra a guerra e preocupação com a população.
A primeira característica de um soundbite. Quando (e cada vez) mais pequeno, mais eficaz! A segunda característica tem de ser facilmente decifrável pelo jornalista, para que ele o transforme em notícia. “Com os dois pés bem assentes no Porto” (exemplo) é curto, é, claramente notícia, por ser um soundbite de campanha, que actua na Opinião Pública, porque dá a sensação de proximidade, mas, e ao mesmo tempo, vai ser notícia por constituir um ataque à oposição.
Soundbite é, portanto, uma frase, que, passível de várias interpretações, diz tudo o que o politico quer transmitir! O famoso e internacional “Yes, we can!” de Barack Obama, actual presidente dos Estados Unidos, correu a América, e o mundo. Foi o soundbite da campanha Obama, que esteve presente ao longo de meses e se fixou na presença diária dos americanos.
"Política ao mais alto nivel" descrevia Cornad Brean. Eu diria manipulação ao mais alto nível. Como é que com uma guerra inventada se consegue ganhar uma eleição.
Estratégias de Comunicação ao mais alto nível!
Em política tudo é pensado ao pormenor. Spinnig Boris é o exemplo perfeito de como um candidato não favorito ganha as eleições da Rússia. Como as estratégias de comunicação elegem presidentes!