18/06/09

NA POLÍTICA… TUDO AO PORMENOR!

Um qualquer político nunca chega a toda a opinião pública. Embora a sua maior preocupação seja para com o público. Para o atingir da melhor maneira, o político (ou assessores) planeia, molda a comunicação social, que por sua vez, desdobra a mensagem, preferencialmente pretendida, para a opinião pública. Daí que tudo, ou quase tudo, em política seja minuciosamente estudado, previsto e pensado ao pormenor.

Fazer política é entrar num jogo de estratégia. “Diz quem sabe, que para ganhar uma eleição destas é preciso realmente ser-se bom actor”. O papel dos directores de campanhas eleitorais é uma verdadeira viagem pela imaginação e estratagema político ao mais alto nível!

Desde os magníficos discursos dos políticos à alteração de imagem em função da opinião pública. Tudo é previamente planificado. Um discurso político, que, até, ostenta um trabalho de horas de preparação, não é escrito pelo político que o vai dizer, ou melhor, na grande maioria, não é o político. O discurso é alterado vezes sem conta (Homens do Presidente – Discurso do Estado Nação). Nenhuma palavra pode ser interpretada com dois sentidos (Homens do Presidente – Ensaio Geral). A linguagem tem de estar acessível aos jornalistas, não pode haver espaço para “mas o que é que ele disse quis dizer ali?”.

Os jornalistas são, portanto, forçados a pensar como dá mais jeito ao político. As notícias são aquilo que os políticos querem passar para a opinião pública. E agora perguntamo-nos, como é este cenário tão permeável e possível? Serão os jornalistas tão ingénuos ao conformarem-se com a situação?

A imagem de um político é tida imensas vezes em conta. Qualquer pormenor em falso pode ser usado para outros fins que não a persuasão política. Mas então os políticos são, ou não a imagem que mostram? Encenam outras personagens? Ou serão apenas mais um fruto da estratégia minuciosa? Sppining Boris – “yeltsin bebe muito”, “yeltsin devia sorrir mais”, “Yeltsin devia ser mais atencioso”… Yeltsin transformou-se num produto eleitoral, que é vendido para agradar aos gostos das populações. É assim que, na sua grande maioria, se fabricam políticos perfeitos.

Ao longo dos tempos, o espaço mediático nos media foi ficando reduzido, e as técnicas para tentar penetrar nesse meio foram aumentando! Já não se faz política porta-a-porta, hoje em dia é em redes sociais na internet. A política baseada na intuição do candidato já não é suficiente para atingir a opinião pública. Hoje em dia, são necessários estudos antes de se saber onde apostar durante a campanha. Hoje em dia, são estudadas e planificadas as melhores formas de entrar na opinião pública – desde pseudo-eventos positivos, a fugas de informação estratégicas, passando pelo controlo das mensagens. Tudo é meticulosamente preparado, com horas ou, até, meses de antecedência, quando se fala em campanhas eleitorais.

Aquilo que foi apresentado neste blogue explícita algumas das técnicas infindáveis e sofisticadas de atrair as atenções jornalísticas e persuadi-las a publicar o que eles desejam. Algumas das formas de conseguir um espaço na opinião pública. É sabido que “na corrida às urnas tudo é válido”, a minha única questão é: será que os jornalistas não percebem que estão a ser manipulados?